“Apagão florestal” preocupa a indústria gaúcha

Tema foi debatido em encontro que reuniu a cadeia produtiva do setor na FIERGS

 Restrições impostas ao plantio por órgãos da área ambiental e excesso de burocracia ameaçam um dos mais importantes setores industriais no Estado. O assunto foi tema de debate durante esta quinta-feira (17), no Encontro da Cadeia Produtiva de Base Florestal, promovido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), por meio do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira. “Este evento discute uma política de desenvolvimento para essa importante atividade econômica integrada. O segmento florestal gaúcho, apesar das vantagens naturais, vem decrescendo nos últimos 10 anos”, alertou o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, ao ressaltar que a situação traz riscos de um “apagão florestal” e de enormes prejuízos às indústrias de móveis, papel e celulose, além de serrarias, marcenarias e olarias, entre outras.
 Petry lembrou que, em dezembro do ano passado, o Serviço Geológico da Nasa, a Agência Espacial americana, publicou um levantamento  que demonstra que o Brasil protege e preserva a vegetação nativa em mais de 66% do seu território, e que cultiva apenas 7,6% das terras. Em contrapartida, a Dinamarca planta 76%; a Irlanda, 74%; os Países Baixos, 66%; o Reino Unido 64%, e a Alemanha, 57%. No RS, a cadeia gera aproximadamente 320 mil empregos diretos e indiretos, sendo responsável por 5,1% do PIB do Estado, “o que justifica uma política de incentivo aos segmentos envolvidos”, destacou. Dos cerca de 1,28 milhão de hectares de florestas no Rio Grande do Sul, 58,3% correspondem ao setor de base florestal, enquanto 41,7% fazem parte das unidades de conservação.
Os dados coletados durante o Encontro da Cadeia Produtiva de Base Florestal servirão de base para a elaboração de um documento, que será encaminhado aos candidatos a deputado e ao governo do Rio Grande do Sul. “Nosso objetivo é que se crie uma consciência da necessidade de retirar os entraves para o desenvolvimento deste setor industrial no Estado. Já faz dez anos que estamos na luta para estabelecer um projeto de floresta-indústria, mas estamos decrescendo em vez de crescer”, informou o coordenador do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira da FIERGS, Walter Rudi Christmann.
A palestra principal foi proferida pela presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, sobre O Setor de Base Florestal no Brasil e no Mundo. Segundo dados da Ibá, em 2016 o Brasil destinava 34% da sua área plantada à celulose e papel, 29% a produtores independentes, 14% à siderurgia e carvão mineral e 6% para painéis de madeira e pisos laminados.  
Além das vantagens para a indústria, Elizabeth enumerou também os benefícios para o País e o meio ambiente caso a área das florestas plantadas no Brasil seja ampliada. Atualmente, 7,8 milhões de hectares de árvores cultivadas retiram da atmosfera e estocam 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono, equivalente a um ano das emissões industriais brasileiras. “Esse carbono, monetizado, vai permitir que o Brasil possa, com o saldo positivo absorvido nessas florestas ceder, via comércio, para outras regiões do mundo que não tem condições de fazer essa melhoria climática”, afirmou. Ela citou o caso da Alemanha, um país essencialmente industrial, mas com pouca área disponível para plantio de novas florestas. Desta forma, o Brasil, com excedentes florestais, poderia “vender” seus créditos de carbono, em um mercado criado com o objetivo de reduzir os gases do efeito estufa, atribuindo um valor monetário à redução da poluição. “O crédito de carbono vai ser a mais importante commoditie em um futuro muito próximo”, afirmou.
O vice-presidente da STCP – Consultoria de Projetos Ltda., Joésio Pierin Siqueira abordou o Setor de Base Florestal na Região Sul do Brasil – Perspectivas Econômicas, Sociais e Ambientais. “Não é possível que o Rio Grande do Sul continue restringindo o plantio, com apenas 1% de seu território ocupado”, disse. Walter Lídio Nunes, da CMPC Celulose; e o presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Diogo Leuck; também realizaram apresentações no evento. Nunes afirmou que as inúmeras exigências dificultam a instalação e acabam por afastar investidores estrangeiros do Estado.
  

Fonte Unicom

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