Anta Gorda realiza III Encontro Microrregional de Vinhos

O município realizou, recentemente, no Ginásio de Esportes São Carlos, o III Encontro Microrregional de Vinhos. Promovido pela Emater/RS-Ascar, o evento contou com a presença de viticultores e agricultores familiares de 15 municípios do Vale do Taquari. Além de palestras sobre o tema, foi realizada a degustação de vinhos dos agricultores familiares que prestigiaram o encontro. Na ocasião foram experimentadas 80 variedades de vinhos de 47 produtores diferentes.

O técnico da Emater/RS-Ascar Fabiano Zenere explicou que a mostra não era competitiva e que as notas e observações enviadas pelos participantes podem ser obtidas no escritório da Emater/RS-Ascar. “A intenção é dar um retorno para os viticultores, a respeito do que está pensando o público sobre o seu produto, fazendo com ele se aprimore e ofereça um vinho mais qualificado”, enfatizou. Os vinhos foram elaborados com uvas americanas, como Isabel, Lorena, Bordeaux e Niágara e também com uvas vitis viníferas como Cabernet Sauvingon, Tannat e Merlot.

Na abertura do evento, o assistente técnico regional em Fruticultura da Emater/RS-Ascar, Derli Bonine, afirmou que o encontro é fruto do trabalho realizado na região, com capacitações de produtores em diversos municípios, o que tem aprimorado a produção local. Para Bonine, fica o desafio de que haja mais cantinas produzindo, com agregação de renda e valorização da cultura e do turismo da região. O evento também foi prestigiado pelo prefeito de Anta Gorda, Neori Dalla Vechia, que também elogiou o trabalho desenvolvido localmente.

Vinho alemão

Em meio aos participantes do encontro, o trio Delmar Kuhn, Arlindo Nos e Zeno Hentges de Arroio do Meio conversava em alemão. Animados, brincaram com o fato de, em terra de italianos, também haver espaço para demonstrações de seus produtos. Kuhn, aposentado e morador da Linha 32, tem a fabricação de vinhos como um passatempo. Produtor das variedades de uvas Bordô e Niágara, diz que comercializa parte da pequena produção para os vizinhos e amigos. De acordo com o aposentado, a família apoia. “Especialmente quando o assunto é beber”, sorri.

Outro participante foi o agricultor familiar Fábio Baggio, da localidade de Três Pinheiros em Dois Lajeados. Em seu empreendimento, trabalham também os pais e os dois irmãos. Baggio beneficia 120 mil quilos de uvas por ano, sendo a capacidade de armazenamento de sua agroindústria familiar, de 60 mil litros de vinhos. No local também produz suco, que vende para a merenda escolar. As uvas, das variedades Isabel, Niágara, Lorena, Violeta e Cora, são produzidas em sua propriedade, num espaço de 12 hectares.

Sobre o empreendimento diz que a grande maioria das vendas de vinho é realizada na agroindústria. “Por meio da propaganda boca a boca outros clientes aparecem e aqueles que compraram a primeira vez, voltam”, diz. Outra parte dos negócios é realizada em festas e outros eventos locais. Pensando no crescimento da agroindústria, Baggio já fez diversos cursos, entre eles o de boas práticas de fabricação. “A legislação ainda nos atrapalha um pouco, já que gostaria de produzir mais e ampliar os negócios”, afirma.

Mercado, legislação e boas práticas

Uma das palestras teve justamente o tema “Mercado e legislação do vinho colonial”. Ministrada pelo assistente técnico estadual em fruticultura da Emater/RS-Ascar Antônio Conte, falou de um projeto de Lei que tramita na Câmara dos Deputados e que, em partes, regularizará as vendas pelas agroindústrias familiares. Pela nova Lei, produções de até 20 mil litros poderão ser vendidas na propriedade, desde que o envase seja no local, atestado por um responsável técnico. Além disso, 70% da produção de uva deverá ser feita na propriedade. “São mudanças que já representam um começo para os pequenos viticultores”, ressaltou Conte.

O outro painel do dia abordou o tema “Boas práticas na elaboração do vinho colonial”. Ministrada pelo Enólogo da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Celso Costa, debateu desde o momento certo para a colheita dos frutos, até técnicas para tirar a acidez e evitar a oxidação. Também foram abordadas formas de limpeza de tanques e de outras estruturas das agroindústrias. “O vinho é uma bebida natural, estando sujeita a alterações microbiológicas e químicas, cabendo a nós tomar alguns cuidados para que o produto se conserve”, ressaltou Costa.

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