Agroindústrias elevam PIB, mas RS cai entre estados mais ricos do país

O bom momento da agropecuária – em especial das safras de soja, arroz e milho – fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul fosse o que mais cresceu no país em 2013: ele aumentou 8,2% em relação a 2012. Os dados foram revelados na manhã da última quinta-feira, dia 19, a partir de relatórios da Fundação de Economia e Estatística (FEE) e de instituições de outros estados. As informações foram cruzadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do bom desempenho do setor agropecuário – que se recuperou da estiagem que havia provocado quebra de safra em 2012 -, o Estado perdeu a posição de 4ª maior economia do país para o Paraná. As três primeiras continuam sendo São Paulo (R$ 1,71 trilhão), Rio de Janeiro (R$ 626,32 bilhões) e Minas Gerais (R$ 486,96 bilhões). O Paraná chegou a R$ 332,84 bilhões, enquanto o Rio Grande do Sul fechou o ano com PIB de R$ 331,10 bilhões.

Defasagem econômica

Para o economista da FEE e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Alfredo Meneghetti Neto, este panorama não é novidade, e demonstra a fragilidade da economia gaúcha em relação aos outros estados da região.

“Acompanhando o crescimento nominal do PIB entre 2002 e 2012, vemos que o Rio Grande do Sul tem crescido muito menos do que o Paraná, e menos ainda que Santa Catarina”, revela. “Vai demorar um pouco, mas talvez em mais 10 anos, Santa Catarina venha a se tornar a 5ª maior economia brasileira e jogue o RS para a 6ª posição”, acredita.

Na opinião de Meneghetti, um dos pontos negativos da economia gaúcha em relação aos demais estados é a falta de industrialização no setor do agronegócio. “Sofremos com a fragilidade do clima e as mudanças súbitas. No Paraná, por exemplo, há muito mais processamento de grãos, há uma industrialização muito mais expressiva no setor do agronegócio, o que é um grande diferencial em relação ao nosso estado”, explica.

Agronegócio movimenta economia interna

Na opinião do gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli, a contribuição da agricultura familiar e do agronegócio para a elevação do PIB gaúcho tem como base as políticas públicas federais, estaduais e municipais que têm gerado investimentos no setor e fomentado a produção.

“Consequentemente, se aumenta a receita das cidades e do Estado, se gera mais exportação. E temos todo um aparato de extensão rural e de cooperativas agropecuárias, cooperativas de crédito. Injetando dinheiro na agricultura, se aumenta o comércio interno e externo, o que acaba refletindo em toda a economia.”

No Vale do Taquari, Brandoli destaca a força da suinocultura, da avicultura e do setor leiteiro, que tornam a agropecuária regional muito competitiva quando comparada ao restante do país. “O Vale contribui muito para a exportação, principalmente nesses três segmentos, que são muito fortes. E tendo todo o aparato de assistência técnica e de investimentos, isso ajuda a gerar mais riqueza interna, empregando pessoas e gerando mais renda”, justifica.

As fragilidades do RS

Os economistas da FEE têm monitorado os quatro fatores que travam o crescimento do Estado e podem ser considerados determinantes para o atraso do Rio Grande do Sul em relação ao restante do pais. Segundo Meneghetti, a partir da percepção dessas fragilidades já era perceptível que o RS seria ultrapassado pelo Paraná.

“O primeiro fator é o clima. Quando o tempo está bom, há bons períodos de safra e a economia responde com isso. Mas quando temos problemas com enchentes ou outros, como ocorreu este ano, por exemplo, percebemos a fragilidade”, destaca.

Há também a balança comercial gaúcha, considerada a segunda fragilidade do Estado. “Temos uma abertura econômica muito grande em relação a outros países, como a China, que tem trazido grandes problemas para a nossa industrialização. Na verdade, estamos praticamente nos desindustrializando devido à invasão dos artigos chineses”, reflete.

A terceira fragilidade é a relação conturbada do Governo Estadual com o Governo Federal, fruto, em grande parte, da troca constante de partido à frente do Estado. “Tem uma ‘grenalização’ muito forte em todos os aspectos no Rio Grande do Sul, inclusive no cenário político.” E esse aspecto leva ao quarto fator: as finanças públicas, que têm gerado grandes problemas para a economia gaúcha de forma geral.

Segundo o economista, há o temor de que os relatórios dos próximos anos revelem uma queda ainda mais expressiva do PIB gaúcho, considerando que 2014 e 2015 foram anos mais fracos para o setor agroindustrial do que 2013. “Houve um bom ano para o setor (em 2013), com uma boa safra, mas isso não foi usado de forma adequada para se trazer um rendimento maior aos outros setores”, justifica. “Os dados de 2015 devem demonstrar um crescimento muito abaixo do ano anterior, e quando foram adicionados à série histórica (que compila informações desde 1995), deve fragilizar ainda mais esta estatística”, acrescenta.

Variação do PIB gaúcho

Ano – PIB – Variação
2010 – R$ 241,2 bilhões – –
2011 – R$ 264,9 bilhões – 4,4%
2012 – R$ 287 bilhões – -2,1%
2013 – R$ 331 bilhões – 8,2%

Taxa de crescimento (em relação ao ano anterior)

Ano – Agropecuária – Indústria – Serviços
2011 – 13,8% – 4,3% – 3%
2012 – -32% – -4,8% – 2%
2013 – 57% – 7,4% – 3,8%

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