Agroindústria para produção de queijos garante sucessão familiar em Progresso

Desde o mês de outubro do ano passado, a família Batistti, de Progresso – tradicional produtora de bovinos de leite e de aves para corte em sistema de integração -, conta com uma agroindústria para a produção de queijos coloniais em sua propriedade, localizada no distrito de Xaxim. O investimento, feito pelo patriarca Deoclides, ao lado da esposa Cleicia, surgiu como alternativa para garantir a permanência da filha Thaís no campo, especialmente após a saída do filho mais velho que, hoje, trabalha na cidade.

A motivação para a construção do empreendimento surgiu após Deoclides ser beneficiado com R$ 50 mil, via Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Empreendimentos Rurais (Feaper). O valor repassado foi resultado de um recente processo de Participação Popular e Cidadã (PPC), que destinou mais de R$ 1,5 milhões para agroindústrias do Vale do Taquari, com 80% de bônus adimplência para pagamentos em dia. Com o recurso, o agricultor conseguiu iniciar a obra de 250 metros quadrados, além de adquirir alguns equipamentos, como o resfriador.

Utilizando-se de recursos próprios, o agricultor também comprou outros equipamentos, como pasteurizador, tanque, forma, prensa e balanças, que hoje compõem a microqueijaria. “No começo não foi fácil, mas hoje não me arrependo do dinheiro investido”, salienta Deoclides. O sorriso no rosto do produtor é fruto do resultado que o empreendimento tem dado a família. “Atualmente estamos processando 500 litros de leite por dia, que resultam em uma média de 50 quilos de queijos, vendidos a R$ 14 o quilo”, ressalta Thaís.

O “problema” é que a família não está conseguindo dar conta da demanda, tamanha a quantidade de pedidos e o interesse por produtos feitos na colônia. “Hoje, apesar de morarmos em uma localidade mais afastada, recebemos semanalmente visitas de pessoas de outras cidades e até de Porto Alegre, que nos procuram atrás do produto”, garante Thaís. A intenção de Deoclides, para o futuro, é a de aumentar a produção. “Tenho espaço físico e infraestrutura para colocar, no mínimo, 200 quilos de queijos ao dia”, afirma.

A dificuldade relacionada à mão-de-obra, ainda limita esta possibilidade, ainda que a família conte com o apoio do namorado de Thaís, Ezequiel, que trabalha na parte da comercialização. Ainda assim, a rotina começa cedo da manhã, com a ordenha das oito vacas de leite da família, e termina no final do dia, com o recebimento de matéria-prima que complementará a quantidade necessária de leite para a produção diária. Após, ainda é feita a limpeza da agroindústria, para manter o padrão de qualidade e de higiene exigido pelo mercado. “Mas é algo que gostamos, tanto que o meu filho já está pensando em voltar”, comemora Deoclides.

A restrição de poder vender apenas no município, via Sistema de Inspeção Municipal (SIM), ainda se constitui em uma barreira. Mas, de acordo com o assistente técnico regional em Agroindústria Familiar da Emater/RS-Ascar, Alano Tonin, o município de Progresso já encaminhou a documentação para adesão ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), que ampliará as possibilidades. “Algo muito bom para as famílias que investem, agregam valor aos seus produtos, aumentam a qualidade de vida e ainda garantem a sucessão”, diz.

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