Agroecologia é tema de encontro regional no município de Teutônia

Com o tema “Fazendo a agroecologia acontecer no dia a dia” o município de Teutônia realizou na última quarta-feira, dia 14, no auditório do Colégio Teutônia, o 4º Encontro Regional de Agroecologia do Vale do Taquari. Organizado pela Articulação em Agroecologia do Vale do Taquari (AAVT), com o apoio da Prefeitura e da Emater/RS-Ascar, o evento contou com palestras e relatos de experiências, apresentações culturais, exibição de vídeos, trocas de sementes crioulas e a mostra “Caminhos das Especiarias”.

Também foram realizadas oficinas sobre minhocários, fermentos crioulos (ou bokashi), caldas para tratamento de sementes com biofertilizante, fitoterápicos para animais e alimentação. O almoço também foi comunitário, com cada participante levando consigo um lanche para a partilha, bem como sementes e mudas para trocar. “Todas as atividades tiveram o objetivo de promover a adoção de uma alimentação livre de contaminantes”, enfatizou o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar na área de Manejo de Recursos Naturais, Marcos Schäfer.

Schäfer salienta ainda que encontros do tipo procuram reunir o público interessado em modificar a sua atividade diária e os hábitos de vida, tendo por base os princípios da agroecologia. “Nesse sentido são importantes as discussões e reflexões em torno de práticas sustentáveis para a agricultura e que no fim das contas, têm importância para toda a sociedade”, analisa. “Hoje, as pessoas já nascem se alimentando com produtos industrializados, sem muitas vezes pensar naquilo que estão comendo”, observa, ressaltando ainda ser fundamental refletir acerca do impacto desse comportamento.

Algo parecido foi o que ocorreu com o casal Valdir Luchmann e Rome Schneider, da comunidade de Novo Horizonte, em Cruz Alta. No encontro, relataram como deixaram para trás o trabalho – e a estabilidade financeira – como funcionários do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), no ano de 2006, para investir na produção de frutas e verduras sem a utilização de venenos. “Em uma região em que predominam as coxilhas e a produção de soja, fomos considerados malucos no começo”, recorda Rome.

A persistência, aliada à adoção de práticas ecológicas consideradas “simples” pelo casal – implantação de quebra-ventos, uso de coberturas verdes, reservação de água, rotacionamento de culturas, homeopatia –, fez com que o resultado fosse mais do que satisfatório. “Hoje temos cerca de 170 clientes cadastrados que recebem, semanalmente, cestas com alface, tomate, rúcula, cenoura, salsa, repolho, espinafre, brócolis e morango, entre outros, todos certificados como orgânicos”, afirma a agricultora.

Para Valdir o cultivo está relacionado com amar aquilo que faz, em ter a agricultura orgânica como uma filosofia de vida. “Estamos cultivando, reformando o nosso jeito de agir e pensar e não simplesmente produzindo ou lidando com mercadorias ou ‘negócios’”, ressalta o agricultor. Já o consumidor, que compra diretamente, participa do processo, dizendo onde melhorar, quanto e onde entregar, entre outros. “Esse modelo de cultivo não é apenas substituir insumos, é produzir alimento com qualidade, com sabor e nutritivo”, acredita. “Essa é a nossa grande recompensa ao final do dia.”

Além de representantes de entidades e de agricultores ligados à produção agroecológica, o evento contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o vice-prefeito de Teutônia, Evandro Biondo, o diretor do Colégio Teutônia, Jonas Rückert, o gerente adjunto da Emater/RS-Ascar de Lajeado, Carlos Lagemann, coordenador do Capa, Lauderson Holz e a representante do Grupo de Agricultores Ecologistas da Forqueta, Helena Weizmann.

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