Agricultura familiar incrementa cardápio da rede municipal de ensino

Por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), cada município tem a obrigação de abastecer a merenda dos alunos com 30% dos produtos que provém da agricultura familiar. Colinas vai além. Hoje, 43% do que é consumido por crianças e adolescentes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ipiranga e da Escola Municipal de Educação Infantil Pequeno Mundo são oriundos de propriedades rurais locais. Com auxílio e assistência técnica do escritório municipal da Emater-RS/Ascar, sete produtores fornecem alimentos para o cardápio dos educandos – Lourdes Reni Scharb (Linha Leopoldina); Christina Hoppen Horst (Linha Roncadorzinho); Edeli Maria Gattermann (Linha Beija-Flor); Nelson Goldmeier (Linha 31 de Outubro); Irene Corotto Dannebrock (Linha 31 de Outubro); Airton José Petter (Linha 31 de Outubro); e Elias Muller (Linha Leopoldina).

Conforme a nutricionista Ana Paula Jasper, os alimentos consumidos por meio da agricultura familiar são totalmente livres de agrotóxicos, apenas utilizam adubo químico. “Considerando que o Brasil é um dos países que mais consome agrotóxicos no mundo, poder disponibilizar para as crianças alimentos totalmente saudáveis é algo maravilhoso”, define. Segundo ela, o consumo também auxilia no aprendizado dos alunos. “Os alimentos da época contém mais vitaminas e minerais e as crianças aprendem no dia a dia qual é a época de safra e sazonalidade dos alimentos”. Ana Paula garante que “um cardápio equilibrado e com alimentos seguros e saudáveis fornece o aporte necessário de nutrientes para que os alunos cresçam saudáveis, melhorando inclusive o aprendizado durante o período dentro da escola”.

A profissional revela que o cardápio leva em conta uma série de recomendações nutricionais, como quantidade de calorias, vitaminas, sais minerais, proteínas e gorduras para cada faixa etária. “Essas quantidades são calculadas mensalmente e são disponibilizadas em forma de um cardápio com uma variedade de alimentos e preparações para serem servidos nas escolas, levando em conta também a segurança sanitária desses alimentos”, explica.

Para a secretária municipal de Educação e Cultura, Tânia Fensterseifer, o cumprimento da lei torna-se algo prazeroso tanto para os alunos, sua família, como para os empreendedores do campo. “Os alunos participam de projetos de educação nutricional ao longo do ano sobre alimentação saudável, além de terem uma disciplina de agroecologia. São constantemente incentivados a provarem os alimentos e preparações através do cardápio diário ou de oficinas culinárias. Com certeza levam essas experiências para casa, auxiliando da disseminação desse hábito que até mesmo pode ser um impulsionador para quem sabe num futuro próximo atrair essas crianças e jovens a fazer o mesmo trabalho que hoje é realizado por agricultores que veem na oportunidade um incremento da sua renda e um incentivo para permanecer no campo”, salienta.

Delícias no cardápio

Cristina Horst é uma das empreendedoras que abastecem a merenda escolar de Colinas. Proprietária da “Sabores da Vovó”, fábrica de panificação criada em 2010 e localizada na Linha Roncadorzinho, a agricultora viu no campo uma oportunidade de crescimento. “Antes trabalhávamos apenas com o turismo, produzíamos em casa mesmo. Hoje, nosso maior foco é a qualidade do produto. Ele tem que sair 100% e chegar até o lanche em perfeitas condições para uma alimentação saudável”, afirma. Isso só acontece de fato porque Cristina utiliza praticamente toda a matéria-prima de sua propriedade. Leite e nata provém da ordenha de suas 34 vacas. O próximo passo é criar galinhas poedeiras. Hoje, os ovos são terceirizados. “Quero deixar nosso alimento com a cara de interior. Saudável, livre de qualquer radical. Algo nutritivo e saboroso”, deseja. Para ampliar a produção, em 2014 foi contemplada com auxílio através do Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) e recebeu de incentivo recurso para construção de um local apropriado, onde trabalha atualmente ao lado de sua nora. Juntas, fabricam pães, cucas e biscoitos que são levados ainda quentes do forno à lenha direto para a mesa dos educandários.

Na Linha Leopoldina, Lourdes Scharb compõe a lista de agricultores familiares. Ela e seu esposo Januário entregam nas escolas frutas e hortaliças. Caqui, bergamota, laranja, alface, tempero, cebola, brócolis, couve-flor e rúcula fazem parte do mix de produtos cultivados em cinco mil metros quadrados de área divididos em 800 pés de verduras e legumes e 300 pés que formam o pomar. Para agregar renda, em junho de 2015 a família iniciou o cultivo de morangos. Somente no ano passado, durante a safra, foram colhidos oito quilos por semana. “Mais uma variedade de fruta no cardápio dos alunos. E eles adoram”, comemora Lourdes.

O Pnae

O Pnae é desenvolvido através da Lei nº 11.947 de junho de 2009, que determina que no mínimo 30% dos recursos destinados à alimentação escolar devem ser gastos na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações.

O objetivo é promover uma maior inclusão social e econômica do homem no campo e contribuir para o desenvolvimento local sustentável. Além de incrementar o desenvolvimento local o programa também incentiva as práticas de alimentação saudável, contribui para a erradicação da fome e estimula a produção local sustentável.

Segundo levantamento feito pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em alguns países da América Latina e Caribe, a agricultura familiar pode representar mais de 80% das propriedades agrícolas, mais de 60% da produção total de alimentos e mais de 70% dos empregos na zona rural.

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