Agricultura contrata quase duas mil pessoas em um ano

A crise econômica do país não afetou a geração de emprego no setor agrícola do Vale. Enquanto as vagas nas cidades são cada vez mais escassas, o campo torna-se a alternativa. Entre janeiro de 2015 e abril de 2016, foram 1.937 contratações formais na área.

No mesmo período, as demissões no comércio e construção civil da região superaram as contratações. Além da agricultura, apenas a administração pública teve saldo positivo. A empregabilidade contrasta com o cenário global. No mesmo período, tanto o paí quanto o RS demitiram mais do que contrataram.

Segundo a economista Cintia Agostini, o setor foi menos afetado pela crise em todo o país. “Enquanto todas as áreas tiveram PIB negativo, a agricultura ficou no zero.” Além do resultado nacional, as características da atividade no Vale foram determinantes para manter o nível de emprego. “Produzimos alimentos diversificados, e isso nos manteve longe da crise.”

Cintia ressalta ainda a mudança nas características da agricultura regional. “As propriedades crescem e não é mais possível mantê-las apenas com o trabalho familiar.” Esse cenário obriga os proprietários a contratarem pessoas de fora para manter a produtividade.

Na avaliação do economista da Farsul, Antonio da Luz, o cenário positivo é consequência do funcionamento do setor. “Diferente de outras áreas, nós não dependemos exclusivamente do consumo interno.” De acordo com Luz, a agricultura aprendeu a ser competitiva e por isso consegue ser menos afetada durante crises.

Novo fluxo migratório

Diferente do passado, quando os jovens saíam do campo para as cidades em busca de emprego, o cenário atual tem um movimento contrário. Para Cintia, essa mudança de perspectiva é fundamental para manter a economia agropastoril.

Uma boa estrutura, aliada à maior sensação de segurança, leva cada vez mais pessoas a tentarem a vida em cidades menores. Cintia lembra que no Vale, mesmo os municípios menores, têm capacidade de oferecer conforto aos moradores. “Temos cidades agrícolas com toda a infraestrutura para o morador viver bem.” A economista destaca ainda o custo de vida mais baixo das cidades agrícolas como outro atrativo.

Na avaliação de Luz, outro fator levado em conta é a nova exigência de mão de obra. Com isso, os jovens saem de casa para estudar, mas já pensando na volta. “Diferente de outros fluxos migratórios, as pessoas voltam mais preparadas.”

Mariano Provinelli, 18, é um dos que buscam aperfeiçoamento. Morador de Coqueiro Baixo, ele atua na produção de suínos e gado leiteiro. Recém-formado no Ensino Médio, não vislumbra a vida em grandes centros urbanos. “”Eu gosto de agricultura e não quero trabalhar com outra coisa.”

Ele admite a possibilidade de se afastar apenas para estudar. “Quero ser veterinário, e vou ter que morar fora. Mas depois volto para o trabalho no campo.”

Agricultura exige mais qualificação

Para o economista Luz, o cenário competitivo do agronegócio torna a busca por conhecimento técnico obrigatória. “Antigamente o trabalho era físico. Hoje tem de saber apertar os botões certos para não causar prejuízo de milhões.”

As exigências maiores têm como consequência a melhoria salarial. “Se compararmos os salários na cidade e no campo, o trabalhador do campo já recebe mais.”

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