Agricultores conhecem cultivo de oliveiras em Putinga

O agricultor Neodimir Zuffo, da localidade de Linha Viena, em Anta Gorda, esteve em Putinga na última quinta-feira, dia 18, para conhecer o cultivo de oliveiras para a extração de azeite. Ao lado do pai, Valdir, e de técnicos e extensionistas da Emater/RS-Ascar, o produtor visitou os únicos pomares existentes no Vale do Taquari, de propriedade do prefeito de Putinga, Valdir Possebon, e que ficam nas comunidades de Santo Izidoro e São Marcos. Além disso, Zuffo participou de uma pequena capacitação e pôde tirar dúvidas a respeito da atividade.

A ideia de cultivar oliveiras surgiu após conversas em família. “O que a gente sabe é que o fruto tem mercado certo, uma vez que quase a totalidade daquilo que é consumido no país chega por aqui via exportação”, observa Zuffo. “Parece que há cerca de 40 anos, alguns produtores tentaram investir no cultivo em Anta Gorda, em uma área que fica localizada próxima ao Parque Municipal, mas sem muito sucesso”, recorda o agricultor.

A intenção dos produtores é modificar completamente a propriedade, investindo também em um pomar de nogueiras, fruto que já possui uma maior tradição em Anta Gorda. “A gente plantava milho, eucalipto e erva-mate, mas em todos os casos, os preços não têm ajudado muito”, salienta. Em sua propriedade, Zuffo implantará quatro hectares de oliveiras e dois hectares de nogueiras, já tendo adquirido mudas das duas culturas e iniciado o trabalho de correção da acidez do solo.

O assistente técnico estadual em Fruticultura da Emater/RS-Ascar, Antônio Conte, acompanhou a atividade, repassando orientações aos agricultores, especialmente no que se refere à área ideal para o plantio, aos tipos de solo e de clima adequados, ao espaçamento entre as plantas no pomar e às variedades mais indicadas para o município. “Além disso, é importante que se saiba como combater pragas e doenças e qual a época ideal para a colheita dos frutos”, enfatizou Conte.

No pomar, o assistente técnico da Emater/RS-Ascar demonstrou na prática a importância de uma boa drenagem e da correção de acidez do solo, com a incorporação de calcário, considerando-se a profundidade de 0 a 40 cm. “A oliveira, nunca é demais lembrar, é originária do clima árido característico do Oriente Médio, com solo arenoso e poucas chuvas durante o ano”, explica. “O seu comportamento em relação ao clima faz lembrar o da produção de uvas”, diz.

Para o assistente técnico regional em Fruticultura da Emater/RS-Ascar, Derli Bonine, há que se levar em conta também outro aspecto para quem pretende realizar esse tipo de investimento: o da colocação do fruto no mercado. “Ainda que haja condições ideais de clima e solo e, aqui na região, nós as temos, é preciso saber o que fazer com as azeitonas, o que, em muitos casos, emperra o negócio, já que o processamento dos frutos por parte do próprio produtor demanda a existência de um investimento ainda maior”, observa Bonine.

Segundo Bonine, para processar as azeitonas, é recomendável uma área um pouco maior na propriedade, já que a produtividade esperada é de seis toneladas por hectare ao ano, sendo o rendimento para azeite de 15% do peso dos frutos colhidos. “Para um produtor que tenha disponibilidade de recursos para fazer esse investimento, não há nenhuma barreira, já que se consiste em uma atividade altamente viável, especialmente por conta dos valores pagos pelo azeite de oliva extra-virgem, que podem chegar perto dos R$ 50 o litro”, garante.

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