Agricultora de Lajeado investe na produção de flores

A família Purper, de Lajeado, é uma das que tem maior tradição na produção de hortaliças e de frutas, no município. Nas quatro feiras locais em que se envolvem – duas no Centro e duas no São Cristóvão -, comercializam um grande volume de alfaces, pepinos, rúculas, tomates, laranjas, bergamotas e morangos, entre outros. É assim há cerca de sete anos. Fora os outros dez em que Marcos Purper passava de casa em casa, com o caminhão, para oferecer a um público cativo as frutas e verduras. Há cerca de dois anos, em uma iniciativa da esposa Sandra, a família decidiu também produzir flores de corte.

Sandra explica que o começo não foi fácil, já que o investimento era alto – cerca de R$ 5 por muda de gérbera e gipsófila, o popular “mosquitinho” – além de haver certa indefinição a respeito da existência ou não de demanda para o produto e também alguma desconfiança por parte do marido. Mas quando, após uma conversa, Marcos aceitou a ideia, não levou nem uma semana para que as mudas, vindas de São Paulo, chegassem à propriedade da família, na localidade de São Bento, onde também vivem os dois filhos do casal e os pais de Marcos. “Nesse meio tempo, comecei a estudar o manejo, na internet, por conta”, observa a agricultora.

Além das pesquisas, com o apoio da Emater/RS-Ascar, Sandra visitou outras propriedades produtoras de flores, em municípios que têm tradição nesse tipo de cultivo, como Ivoti e Santa Clara do Sul. A experiência serviu não apenas para ampliar os conhecimentos na área, mas também para mostrar que o cultivo desses tipos de flores exige apenas os cuidados mais básicos, relacionados a limpeza do terreno, as podas adequadas, a plasticultura, a irrigação e a colheita. Na propriedade, são 2,4 mil pés, entre gérberas e mosquitinhos. “Se for somar, não chega a dar uma hora de trabalho por planta, ao ano”, ressalta Sandra.

A produção de flores deu tão certo, que Sandra afirma possuir, hoje, um público fiel a elas. São pessoas que adquirem as gérberas e os mosquitinhos todas as semanas, como forma de embelezar a casa. “Tem cliente que, quando eu vejo chegando à feira, já começo a separar um buquê, pois eu sei que vão levar”, afirma. Os buquês e maços têm preços variados, mas em geral são vendidos por valores que vão de R$ 10 a R$ 12. “A cada semana comercializo uma média de 50 buquês de gérberas e 15 de mosquitinhos, fora em época de datas especiais, como o dia das Mães ou da Mulher, quando há um aumento da demanda”, observa.

A engenheira agrônoma da Emater/RS-Ascar, Andréia Binz, valoriza a iniciativa de Sandra, que encontrou uma alternativa a mais de renda para a família. “E como ela colhe as flores no turno em que ela vai vender, elas estão sempre novas e nunca com aspecto de velhas ou murchas”, salienta. Além do fato de a comercialização direta beneficiar os dois lados: o do cliente, que paga um pouco menos pelo produto e o do agricultor, que recebe o valor integral, sem a dependência de intermediários. “Minha intenção para o futuro talvez seja ampliar as estufas, produzindo também outros tipos de flores, como os lisiantos, mas isso a gente decide mais pra frente”, finaliza Sandra.

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