Agricultor investe na produção de chips de batata-doce e aipim

Há cerca de dois anos, o agricultor Flávio Franz, da localidade de São Bento, em Santa Clara do Sul, investe na produção de chips – salgadinhos naturais – feitos com batata-doce e aipim. Ao lado da esposa Ivoni, o produtor é o responsável pela Agro Franz que, ainda no mês de fevereiro, deverá receber o certificado de inclusão no Programa Estadual de Agroindústria Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR), que legalizará o empreendimento nas áreas tributária, sanitária e ambiental.

Os produtos, vendidos em pacotes de 100 e 70 gramas, com preço médio de R$ 2, são elaborados a partir de batatas-doces e aipins cultivados na propriedade mesmo. “Hoje, possuímos em torno de 15 mil pés de batata-doce e 20 mil de aipim”, ressalta Flávio. O bom volume de área plantada poderá garantir, a partir da legalização do empreendimento, produção durante boa parte do ano. “A nossa expectativa será a de comercializar uma média de 200 a 300 pacotes por semana, inicialmente”, observa.

Atualmente, Flávio e Ivoni testam os salgadinhos com vizinhos, amigos e parentes, coletando observações com o objetivo de aprimorar o produto, antes do lançamento “oficial”. “Até achar a espessura correta de corte de cada raiz, a temperatura de fritura ideal ou mesmo a variedade mais indicada para a produção de chips, foi um processo demorado e que exigiu persistência e muita pesquisa da parte deles”, ressalta o assistente técnico regional (ATR) de Agroindústria Familiar da Emater/RS-Ascar, Alano Tonin.

Nesse sentido, Alano valoriza o caráter empreendedor do casal que, a partir de produtos tradicionais da agricultura familiar, encontrou uma alternativa de comercialização diferenciada. Ainda que, para isso, tenham sido necessárias horas de estudo em sites sobre o tema. “Especialmente em relação à batata-doce, muita gente a aprecia na culinária, mas não sabe, em muitos casos, como processá-la, sendo esta uma boa alternativa de consumo já que o produto não possui nenhum tipo de corante ou conservante”, observa Tonin.

Com o empreendimento próximo da legalização – o processo iniciou ainda com o apoio do engenheiro agrônomo Nilo Cortez -, Flávio, hoje aposentado como profissional autônomo, sonha alto, já projetando a criação de outros produtos. Atualmente, também vende aipim descascado in natura e ralado, produzindo também um salgadinho que mistura uma massa feita com as duas raízes. “A minha ideia será a de produzir purê e até bala de goma de batata-doce, mas quero dar um passo de cada vez”, afirma. A mesma calma foi necessária para que o casal passasse pelo processo de certificação da agroindústria.

Com o apoio da Emater/RS-Ascar, receberam R$ 11 mil do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), com a possibilidade de acesso a 80% de bônus adimplência para pagamentos em dia. “Isto possibilitou comprar equipamentos como moedor, misturador, fritadeira, bancadas e balança”, explica o agricultor. Para o gerente regional da Emater/RS-Ascar Luiz Bernardi, são ações desse tipo que garantem a continuidade do trabalho no campo. “Muitas vezes o agricultor familiar produz um alimento com alto valor agregado, cabendo a nós estimular esse processo”, salienta.

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