Administração do porto busca novos negócios e operadores

Após quase três meses da posse da nova administração, o Porto de Estrela ainda passa por um processo de organização e de busca por novos negócios. O modal deixou de ser administrado pela União em 7 de agosto deste ano, em transferência assinada em Brasília, e passou a ser responsabilidade da Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado (SPH), que também administra os portos de Pelotas, Cachoeira do Sul e Porto Alegre.

Em 15 de agosto, Bruno Gonçalves Almeida assumiu como administrador e mostrou-se surpreso com a estrutura encontrada em Estrela. Segundo ele, até o momento, foram realizados estudos sobre a situação do porto e readequação da organização do empreendimento. Com a troca da administração, Almeida conta que as empresas usuárias do transporte hidroviário se afastaram. “Estamos retomando isso, realizando um trabalho de captação de antigos contatos e de operadores portuários.”

Conforme o diretor de portos, Paulo Astrana, a SPH tem buscado novos parceiros para o modal. “Precisamos fazer com que esse porto tenha movimentação, que a área seja usada, rentável.” Ele explica que ainda não há negócios concluídos que possam ser divulgados. “Mas estamos otimistas em relação a isso. Temos encaminhamentos bem concretos que, em seguida, serão informados à comunidade.”

Atuação portuária e engajamento regional

Atualmente, segundo Almeida, o Porto de Estrela tem operado com cargas de areia e possui uma receita mensal que gira em torno de R$ 40 mil. O administrador espera que as empresas que utilizavam o modal voltem a operar em hidrovia no começo do ano de 2015, o que ampliará a atuação do porto para a movimentação de fertilizantes e grãos. “A expectativa também é tentar trazer transporte de contêineres”, acrescenta.

Um terminal da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) está instalado no local, mas o transporte dos grãos não ocorre por hidrovia. “A gente vai tentar impulsionar os grãos na região e, cada vez mais, colocar o porto à disposição dos empresários”, afirma Almeida. Para ele, é fundamental que as empresas da região possam conhecer o porto e saber como usufruir de sua estrutura. Por enquanto, o engajamento é pequeno: apenas duas empresas do Vale mostraram interesse em operar no empreendimento, mas nada ficou acertado.

Para a efetiva participação do setor privado, a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, acredita que a administração do modal necessita mostrar às organizações que o sistema é rentável e seguro. “Elas precisam ver nisso um negócio.” De acordo com Almeida, trabalhos nesse sentido já estão sendo realizados. “As empresas podem vir nos procurar, nos mandar e-mail. Temos recebido até universitários e escolas que querem conhecer nossa estrutura”, conta.

Vantagens competitivas

Para o presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ito José Lanius, o pleno funcionamento do Porto de Estrela é uma “ferramenta extremamente poderosa” para aumentar a capacidade competitiva da região. “A ativação do porto também ajudará na retomada do Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Taquari”, enfatiza.

Presidente da Câmara do Comércio, Indústria e Serviços de Estrela (Cacis), Verno Arend vê a integração dos modais logísticos – rodovia, ferrovia e hidrovia – como fundamentais para o funcionamento do porto. Arend acredita que até o final do ano a situação do empreendimento tenda a continuar a mesma. “Essa discussão deve acontecer a partir do ano que vem, com a troca do governo estadual. É preciso esperar um pouco para ver o que vai acontecer.”

A expectativa do prefeito de Estrela, Carlos Rafael Mallmann, é a de que o porto volte a operar com sua capacidade plena. “Isso reduziria os caminhões na estrada, tornaria os produtos da região mais competitivos, pois os custos seriam barateados, daria mais segurança e geraria economia”, destaca.

Saiba mais

O Porto de Estrela foi construído na década de 1970 para ser um corredor exportador de grãos do Vale do Taquari para o mundo. O auge de sua operação ocorreu na década de 1980. Atualmente, o porto possui 19 funcionários, que antes eram vinculados à Portobras, extinta na década de 1990. A lotação dos servidores foi delegada à Companhia de Docas de São Paulo (Codesp). Segundo o administrador do porto, Bruno Gonçalves Almeida, a maior parte dos trabalhadores será cedida ao Estado – premissa para que possam continuar trabalhando no modal estrelense.

A Companhia de Docas do Maranhão (Codomar) administrava o porto até o início de agosto deste ano, quando o empreendimento passou às mãos da Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado (SPH). Interessados em visitar o porto podem entrar em contato com a administração pelo e-mail portodeestrela@sph.rs.gov.br.

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