Abelhas produzem mel verde

Há cerca de quatro anos o funcionário da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Flávio Alvício Schneider, 59 anos, mais conhecido como Bolinha, cultiva em sua casa, às margens do Rio Taquari, no Centro da cidade, um caixa com abelhas para a produção de mel. No início deste ano a surpresa, ao colher o produto, mel verde, com cor de menta.

Conforme Bolinha esta foi a quarta vez que centrifugou os favos da mesma família de abelhas e nunca tinha acontecido algo parecido. “Das outras vezes tinha cor normal, âmbar, mas desta vez foram 12 kg de mel verde. Apesar disso, o sabor é o mesmo do tradicional”, ressalta.

O homem que é funcionário da Corsan há 35 anos e conhecido na comunidade, garante que ninguém acessa o local onde estão as abelhas sem que seja convidado. “Também tenho todo cuidado par manter o local nos arredores limpo, sem produtos químicos. Nunca fiz nada diferente e desta vez me ocorre isso”, reforça. Bolinha revela que já procurou a Emater e foi informado que o fenômeno possa vir de algum produto químico que as abelhas tenham colhido. “Mas não acredito, não há nenhuma fábrica por perto”, completa.

Contudo a engenheira agrônoma e chefe do escritório da Emater/RS-Ascar do município, Carmen Fransozi, sabedora do ocorrido, contesta e duvida que alguma planta possa ter provocado a coloração. “Pesquisei sobre o assunto e tudo indica que o mel possui várias tonalidades dentro do âmbar, mais claro ou escuro, dependendo das plantas, mas nada que fuja disso”, garante. Carmen acredita que as abelhas possam ter se aproveitado de algum xarope, ou outro produto químico, que seja doce e possua corante. “Isso pode acontecer quando a floração é pobre e a abelha precisa apelar para outras maneiras, para não morrer de fome. O ideal seria que os produtores deixassem um pouco de mel para trás no momento de colher. Afinal de conta esse é o alimento da abelha”, assinala.

O apicultor e técnico agrícola aposentado da Emater, Selvino Laste, morador de Encantado, confirma a tese de Carmen. Ele conta que dependendo da planta a cor natural do mel pode mudar de tonalidade, mas não fugir disso. “Quanto mais escuro mais rico em vitaminas, quanto mais claro mais pobre. Mas dentro do âmbar”, comenta. Laste ressalta que a abelha pode se distanciar por até 3 km ou mais a procura do néctar das plantas. “Nesta distância os animais do produtor cruzeirense podem ter encontrado algum produto industrializado, sem que ele tenha percebido”, frisa. O ideal conforme Carmen e Laste seria realizar uma análise de laboratório para tirar a dúvida. “Contudo outros produtores próximos devem ficar atentos com o mesmo fenômeno. Aconselhamos que nesse caso, de coloração atípica, o produto não seja consumido”, conclui Carmen.

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