“A economia brasileira não consegue mais crescer pela falta de trabalhadores”

A CIC Teutônia promoveu, na última quarta-feira, dia 12, mais uma edição do seu tradicional Almoço Empresarial. Tendo por local o Auditório 03 da entidade, o evento teve como tema “Cenário econômico e perspectivas pós-eleições”, com o economista Pedro Lutz Ramos, que atua na gerência de análise econômica do Banco Cooperativo Sicredi. O encontro contou com a participação de 140 pessoas e teve o apoio da Sicredi Ouro Branco.

Baseado em números e estatísticas, Ramos foi enfático: “a economia brasileira não consegue mais crescer pela falta de trabalhadores. Enquanto isso, temos o exemplo da China, com mão de obra abundante.” Para ele, uma das soluções para isso está na eficiência produtiva. “Precisamos aprender a fazer mais com menos, com mais tecnologia e maior eficiência produtiva para voltar a crescer. Registramos a redução da produtividade, ou seja, precisamos de mais horas de trabalho dos trabalhadores que efetivamente estão no mercado para ter, ao menos, o mesmo volume de produção. O que mais falta na economia brasileira é mão de obra, precisamos fazer com que as pessoas que saíram, retornem ao mercado de trabalho. A população economicamente ativa está reduzindo no Brasil”, frisou.

Cenário nacional e internacional

Ramos também falou do cenário internacional, focando a economia dos Estados Unidos, a zona do Euro e a China. Especificamente quanto à economia brasileira, reafirmou que o Brasil está em recessão, após dois trimestres de queda do PIB. “A recuperação para o final do ano é apenas tênue”, disse.

Segundo o economista, a inflação deve se manter elevada até o final do ano – no acumulado dos últimos 12 meses a inflação está em 6,59%. Sobre as contas públicas, estão piorando diante da queda de impostos, do aumento dos subsídios e do baixo crescimento econômico. Referente às contas externas, o incentivo ao consumo gerou aumento da demanda por produtos importados e piorou as contas externas do país, sem que tenha havido crescimento semelhante das exportações. Quanto ao crédito, o crescimento tem sido cada vez menor ao longo dos últimos anos, o que está relacionado ao aumento do endividamento das famílias e ao baixo crescimento econômico.

Para ele, elemento que colocou o Brasil em recessão é a perda de confiança na economia. “Há o medo de aumento da carga tributária e o crescimento econômico foi o menor desde o presidente Collor, o que também gera dúvidas sobre o retorno de investimentos. Paralelamente a isso, os consumidores temem perder o emprego e a renda. Some-se a isso a elevada inflação, o baixo crescimento, a intervenção na economia e o aumento dos juros.”

Como solução para o atual cenário, Ramos destaca que é necessário revigorar o tripé da política econômica: meta de inflação, câmbio flutuante e metas fiscais. “Nossa economia precisava de ajustes em 2013 e 2014, o que acabou ficando de lado”, disse.

Setores

O palestrante afirmou que a tendência do setor industrial é de enfrentar mais dificuldades, embora outros setores da economia possam crescer, mas menos do que em anos anteriores. “O setor agropecuário vive uma realidade diferente, é o mais competitivo do Brasil, com larga vantagem sobre o resto do mundo. A safra de grãos de 2014 deverá ser recorde, com alta de 2,7% em relação a 2013, que já havia subido 16,2% com relação ao ano de 2012, sendo o setor mais dinâmico da economia brasileira nos últimos anos. Os serviços conseguem conviver melhor com o fator inflacionário elevado por não enfrentarem competidores internacionais, diferentemente da indústria, que além dos custos brasileiros, precisa competir com o resto do mundo. A indústria brasileira está praticamente estagnada desde 2010”, salientou.

O que esperar para 2015

As projeções do economista para o próximo ano são de que 2015 será um ano de “ajustes”. “Será de baixo crescimento; a inflação deve seguir em alta; a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional deve seguir desacelerando, e há perspectivas de um aumento da inadimplência, como resultado de maior desemprego, de inflação ainda elevada e do aumento dos juros já ocorridos; risco concreto de racionamento de energia; a taxa de câmbio sofrerá efeito do provável aumento de juros dos EUA; ajuste fiscal; e retração da confiança dos empresários”, comentou, concluindo, porém, que o ano de 2016 deve ser marcado pela volta do crescimento.

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