9º Fórum Tecnológico do Leite: Instrução Normativa 62 é tema de painel

No segundo dia do 9º Fórum Tecnológico do Leite, evento organizado pelo Colégio Teutônia e parceiros no período de 16 a 18 de setembro, a pauta do painel realizado no período da manhã no Auditório Central do educandário destacou a “Instrução Normativa 62”. O tema foi abordado pelo Promotor de Justiça de Teutônia, Jair Franz; pelo coordenador do curso de Engenharia de Alimentos da Univates, Daniel Lehn; pelo assessor de política da Fetag/RS, Márcio Roberto Langert; e pelo secretário executivo do Sindilat, Darlan Palharini.

Uma nova realidade

Franz abordou a questão jurídica da IN 62, que segundo o Promotor, “visa, basicamente, trazer qualidade a um produto tão importante para o ser humano: o leite”. Ele frisou que a atual cadeia produtiva do leite apresenta uma nova realidade em termos de qualidade. “A Instrução Normativa é um código que visa defender o consumidor de um produto e serviço. Em outras palavras, o leite que vai para as gôndolas dos supermercados deve ser de qualidade, desde a origem da sua matéria-prima. Estabelece padrões de qualidade de produção.”

Capacitação, sensibilização e comprometimento

Lehn reforçou que o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite vai além dos volumes de produção e depende muito da qualidade. “Para isso a Instrução Normativa colabora, cobra e orienta, indicando um caminho. A capacitação das pessoas envolvidas na cadeia é muito importante e deve andar em conjunto com a legislação. Isso envolve profissionais de todos os níveis.” Para ele, é preciso sensibilizar as pessoas para o fato de que estão trabalhando com um alimento extremamente importante. “Todos os níveis do setor devem ser sensibilizados: produtores, transportadores, indústria. Essa indústria funciona em cadeia, em que todos os elos devem estar ajustados”, afirmou. O prazo final para adequações à IN 62 é o dia 1º de julho de 2017.

Padronização

Langert salientou que a IN 62 surgiu para reger os sistemas de produção, destacando programas brasileiros de qualidade do leite. “Todas as partes integrantes do processo devem cumprir com seu papel, não é apenas um compromisso dos produtores rurais”, resumiu, enaltecendo a importância de programas de pagamento por qualidade. “Se queremos qualidade, precisamos pagar por isso. Efetivamente temos muito trabalho em conjunto para fazer sobre esse tema. Programas de qualidade do leite devem ser padronizados, com transparência nos dados, remuneração por volume, mas, principalmente, por qualidade. Isso está sendo trabalhado para que o produtor, de fato, tenha remuneração pelo que faz. Paralelamente a isso, precisamos de ampla campanha de divulgação para o consumo de leite. O leite gaúcho é de qualidade, bebam com tranquilidade”, finalizou.

Trabalho dos laboratórios

Palharini encerrou o ciclo de debates do painel sobre a IN 62. Para ele, é essencial que a cadeia produtiva do leite brasileiro acesse novos mercados para seguir crescendo. Nesse contexto, relacionou o trabalho de laboratórios na análise da matéria-prima, do processo de industrialização e do produto final. Para exemplificar, apresentou resultados de análises de laboratórios credenciados. “Apesar de haver uma certa variação nos resultados dos laboratórios, provavelmente devido a diferenças nas amostragens, os padrões referentes à composição do leite estão sendo totalmente atingidos nos últimos três anos”, elogiou. Ainda sobre o pagamento por qualidade do leite, ele frisou que esse programa passa, inevitavelmente, por avanços tecnológicos. “É muito importante promovermos a discussão com relação a esses aspectos”, concluiu.

Circuito temático

Na Granja do Colégio Teutônia iniciou na tarde de quinta e segue na tarde desta sexta o circuito temático. São cinco estações de trabalho, com o público dividido em grupos para percorrer o roteiro que disponibiliza 20 minutos para cada estande. Com o objetivo de sensibilizar os participantes para aplicação prática, as estações abordam temas como qualidade do leite, sanidade, certificação das propriedades, alimentação e nutrição, pastejo e mecanização aplicada à nutrição.

Cenários econômicos e perspectivas

Fechando a programação do segundo dia do Fórum ocorreu palestra sobre o tema “Cenários econômicos e perspectivas”, conduzida pelo diretor executivo da Sicredi Ouro Branco, Neori Ernani Abel. O evento ocorreu no ginásio da SER Gaúcho, concomitantemente à 5ª Feira Agro Comercial.

Abel falou da realidade econômica brasileira e mundial, reafirmando a importância do agronegócio. “Podemos observar que, aliado a iniciativas de inovação e tecnologia, ao aproveitamento de oportunidades e à dedicação dos envolvidos neste setor, o agronegócio consegue impulsionar a economia do Rio Grande do Sul e do Brasil. Nesse contexto também são muito importantes as cooperativas, a cultura do associativismo”, disse.

Considerando a realidade econômica dos Estados Unidos, dos países da Europa e da China, o palestrante afirmou que as commodities agrícolas ainda seguem com cenário favorável. “Entretanto, diante da desaceleração da economia chinesa e do aumento constante da produção mundial, a trajetória é de queda/estabilização dos preços agrícolas.”

Sobre tendências, Abel explicou que a taxa básica de juros deverá permanecer em 14,25% até meados de 2016, quando o Banco Central deverá começar o processo de queda. Sobre inflação, a projeção para 2015 é de 9,5%, reduzindo par 5,8% no ano seguinte. Sobre a cotação da moeda americana, considera que a elevação de juros nos EUA, a maior desaceleração da economia chinesa e a situação frágil da economia brasileira devem levar o Dólar a se valorizar em relação ao Real.

Falando sobre perspectivas para o leite, Abel concluiu classificando o cenário como de positivo a neutro para os produtores, destaque para um manejo equilibrando custos e produção. “O cenário é mais desafiador se comparado a anos anteriores em função da balança comercial de lácteos negativa; redução da atividade econômica; recuperação de preços no mercado internacional, depois de ter atingido o menor patamar dos últimos anos; possibilidade de entrada em vigor o acordo comercial com a comunidade europeia; e preços internos ainda em patamares elevados historicamente”, explicou.

“Esta é a hora de buscar a eficiência. Todos os cenários convergem para um momento de cautela. Mas em períodos de crise, com a possibilidade de ajustes, oportunidades intensas aparecem também, e devemos estar preparados para aproveitar isso”, encerrou Abel.

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