2015: Uma nova página para os modais de transporte do Vale

Em fase de obras ou planejamento, a infraestrutura utilizada para o transporte dos bens produzidos, importados ou que simplesmente passam pela região, promete ter bons desfechos no próximo ano. A duplicação da BR-386, entre Estrela e Tabaí, deverá ser concluída e oferecer um escoamento qualificado para as cargas de todo o Estado.

Já o aeródromo de Estrela poderá voltar a funcionar, enquanto a parte hidroviária pelo Rio Taquari, que inclui a barragem eclusa de Bom Retiro do Sul, deve passar por reforma e, assim como o Porto de Estrela, serão incluídos na Hidrovia do Mercosul. Em março, Roca Sales recebe uma audiência para debater a participação do Vale na Ferrovia Norte Sul, e garantir o funcionamento do quarto modal.

Ferrovia Norte Sul

Desde abril do ano passado, as tratativas para a inclusão do Vale do Taquari na Ferrovia Norte Sul não obtiveram avanços expressivos. Na época, o tema foi tratado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e contou com a participação de prefeitos, vereadores, lideranças políticas e de entidades de classe da região.

Em 2014, o governo permaneceu no mesmo patamar, e não tomou mais decisões em relação ao tema. A comissão específica, formada até o momento pelos deputados estaduais Zilá Breitenbach e Raul Carrion e o prefeito de Roca Sales Nélio José Vuaden, definiram que em março de 2015 uma audiência será realizada no município rocasalense, para dar andamento ao assunto.

O traçado e uso
Caso o Vale do Taquari seja incluído na Ferrovia Norte Sul, ela irá passar pelos pontos de operação já existentes. Roca Sales será o porto seco e Estrela o porto fluvial. Os grãos, principalmente utilizados na produção de ração, serão o principal produto a passar pela rota. Atualmente a ferrovia é utilizada e concedida à América Latina Logística (ALL) para o transporte de combustíveis, grãos e demais produtos.

Aeródromo

Interditado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2006, o aeródromo do Vale do Taquari, situado em Estrela, poderá ter novos perspectivas a partir do próximo ano. A Prefeitura de Estrela, por meio da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, se comprometeu a fazer alguns reparos necessários em janeiro.

Conforme o titular da pasta, Marco Aurélio Wermann, será feita a marcação da pista e a instalação de cerca. O investimento ainda não foi contabilizado. “Precisamos fazer um levantamento do quantitativo de materiais para verificar o que vai ser gasto”. O único impedimento, até agora, são as torres de fios de alta tensão que prejudicam o tráfego das aeronaves no local. “Entramos em contato com a AES Sul, mas ainda não tivemos retorno. Sem tirar a rede não adianta nem solicitar a vistoria da Anac”, ressalta.

O contato com o Departamento Aeroportuário do Estado (DAP) é constante, segundo Wermann. “Eles nos deram algumas dicas e nos informaram que o espaço pode ser modificado, mesmo sendo de propriedade do Estado e estando em comodato do município até 2016”, afirma. Após as modificações, ele afirma que será discutido com a região como será procedido quanto ao uso do espaço.

BR-386

Em duplicação há mais de quatro anos, a obra no trecho da BR-386 entre Tabaí e Estrela segue para a reta final. Cerca de 90% dos serviços já foram concluídos e a previsão de encerramento é para maio de 2015. No momento, a Conpasul realiza a finalização da terraplanagem e do pavimento nos últimos sete quilômetros liberados. O investimento já é de R$ 184,2 milhões.

Outros dois quilômetros, entre Estrela e Bom Retiro do Sul, tiveram a área vegetal retirada e agora passam pela limpeza de bueiros. Para início efetivo das obras no local ainda é necessária a liberação da Fundação Nacional do Índio (Funai). “Não obtivemos nenhuma melhora nas tratativas, mas a obra segue tranquila”, afirma o engenheiro do Departamento Nacional de Infraestrutura de Rodagens (Dnit), Adalberto Urach.

A entidade protetiva dos índios aguarda o avanço na construção da nova aldeia, situada atrás da atual, que fica às margens da BR-386. De acordo com o Dnit, 42% do novo espaço já foi executado e a previsão de conclusão é para dezembro de 2015. A obra está orçada em R$ 8,5 milhões e contará com 29 casas de alvenaria, uma escola, um local destinado a reuniões e uma casa para comercialização de artesanato.

Reparos
Até o dia 19 deste mês, a restauração da BR-386, em Tabaí, deverá ser concluída. Após, a obra segue para o trecho entre Lajeado e Marques de Souza. De Estrela a Lajeado o projeto já foi executado, num geral, mais ainda resta a finalização da pintura e colocação das tachinhas refletoras.

ERS-130
Com o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evetea) da ERS-130, entre Muçum e Venâncio Aires, em mãos desde abril, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) ainda não conseguiu finalizar o Termo de Referência que possibilitará a abertura de licitação para duplicação da rodovia. Na última reunião do Conselho Regional dos Pedágios (Corepe) a empresa admitiu que não possuía pessoal suficiente para executar o serviço, mas promete a conclusão para março de 2015.

Porto de Estrela

Na administração do Porto de Estrela há cerca de quatro meses, Bruno Gonçalves Almeida, por meio da Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado (SPH), afirma que já existe uma empresa interessada em realizar a operação privada do modal. “Nos encaminharam os documentos na terça-feira, dia 2, e temos 30 dias para a análise. Mas acredito que antes já teremos uma resposta.”

Em janeiro de 2015, ele já pretende iniciar a instalação do sistema e impulsionar o uso do porto. “Essa operação trará cargas para cá. Não queremos descartar os demais, mas apenas distribuir os produtos”. A fiscalização da empresa será feita pela SPH, que acompanhará todos os processos e dará suporte para que o trabalho ocorra.

Arrendamentos
Outro assunto tratado pela SPH é a regularização dos arrendamentos da Sesa e da Codomar, que possuem os silos no local. Por enquanto, Almeida afirma que tudo permanecerá como está – apenas questões burocráticas precisam ser definidas. Há também rumores sobre a instalação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que está sendo tratado por outros patamares do Governo do Estado.

Um longo caminho pela frente

O vice presidente da Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC -VT), Henrique Purper, afirma que o país inteiro está em crise quando o assunto é transporte e logística. “Esperamos demais para pensar na infraestrutura. E tudo o que foi planejado, até agora, não foi concluído”, afirma. Ele destaca que possuímos o 2º maior custo de transporte do mundo. “Isso entrava tanto o fluxo interno, quanto externo. A indústria não consegue crescer, o que reflete na região.”

Para 2015, ele tem boas expectativas somente quanto à conclusão da BR-386. “Acredito que os demais modais não obterão andamento suficiente para terem resoluções finais. Ficarão no projeto”, afirma Purper.

Para a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, 2014 foi um ano em que se deram alguns passos importantes no avanço dos modais da região. “Alguns estão mais à frente em comparação a outros, mas ainda teremos muitos desafios em 2015”. Ela cita que a duplicação da BR-386 teve um bom avanço, assim como obras prioritárias nos trechos abrangidos Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).

Já na ferrovia, ela afirma que não houve nenhum avanço. “Ainda não está oficializado, mas o nosso trecho já não está mais englobado na Ferrovia Norte Sul, apenas lutamos para que um ramal passe por aqui.”

No porto, a saída da União e a entrada do Estado foi considerado como um grande ganho para Cíntia. “Mas ainda é pouco. É preciso investir em obras de infraestrutura e privatizar o serviço. No aeródromo, a Prefeitura de Estrela está fazendo um esforço danado para colocar tudo em dia. Agora é aguardar.”

O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) Sidnei Eckert, afirma que as lideranças regionais estão unidas e mobilizadas para dar andamento a estas questões. “Nós acompanhamos as diversas mobilizações, principalmente da Prefeitura de Estrela, para que seja dado seguimento aos projetos do porto e do aeródromo”, cita.

Quanto à BR-386, ele acredita que obteve bons avanços e enfatiza que a proposta do próximo governo é dar continuidade ao trabalho. Em relação à ferrovia, há várias indefinições, mas existe esperança quanto ao ramal para a região. “São questões maiores, que envolvem um tripé: a região, o Estado e a União. Se algum dos projetos ser concluído, melhor. Estamos lutando para isso.”

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...