16ª Jornada do Sorvete: Primeiro dia destaca tendências, economia e tratamento de efluentes

Empresários do ramo de sorvetes e fornecedores do Rio Grande do Sul e outros estados estão reunidos em Lajeado. São mais de 200 pessoas presentes na 16ª Jornada do Sorvete, evento anual promovido pela Associação Gaúcha das Indústrias de Gelados Comestíveis (Agagel). A programação do primeiro dia teve três palestras, concentradas na parte da manhã, e a negocial, com exposição de máquinas, matérias-primas e embalagens, no turno da tarde.

Doutora em tecnologia de alimentos, Darlila Aparecida Gallina, do Instituto de Tecnologia de Alimentos de São Paulo (Ital), apresentou as tendências mundiais em sorvetes e as novidades do Brasil na fabricação do produto, a fim de aumentar o consumo per capita nacional, de 6,5 litros. A pesquisadora destacou os resultados de uma pesquisa, a qual aponta as macrotendências do setor até 2020 e os aspectos que mais devem influenciar no consumo de sorvetes e picolés: sensorialidade e prazer, conveniência e praticidade, qualidade e confiabilidade, saudabilidade e bem estar, sustentabilidade e ética. Os exemplos mostrados vão do saudável ao exótico. Darlila ressaltou o espaço que vem sendo conquistado por produtos com menos gordura e açúcar, sem conservantes e com probióticos. “Os consumidores estão cada vez mais exigentes e preocupados com a saúde. E isso abre espaço para produtos diferenciados, onde vale a inovação e criatividade do fabricante”.

Sorvetes orgânicos, sabores como açaí e amora, e aqueles com a fruta inteira. “A adição da fruta inteira ao sorvete é uma tendência que vai continuar a crescer, pois as pessoas buscam opções para ajudá-las a conseguir a sua dose diária de frutas”, lembra Darlila. Entre os exóticos, combinações como picolé de tangerina com cenoura e vinho tinto com frutas vermelhas, tendência essa verificada na Europa e nos Estados Unidos.

Já o argentino Hernán Elía abordou as etapas da fabricação do sorvete, e o que acontece na estrutura do produto, até o armazenamento. Para o melhor resultado, o engenheiro de alimentos afirmou que é necessário rigor na tecnologia e métodos de fabricação, balanço correto de matérias-primas, tipo e qualidade dos ingredientes. Questões específicas, como temperatura, funções dos emulsificantes e estabilizantes para um bom produto final, também fizeram parte da palestra e despertaram a atenção do público.

Economia

Coube ao economista-chefe do Sistema Fiergs, André Nunes de Nunes, explicar o quadro econômico atual. “Já tivemos muitas crises, e que foram superadas. O cenário pode parecer desalentador, mas vai passar, e quando isso acontecer todos estaremos mais fortes”, enfatizou. Nunes exibiu a trajetória brasileira rumo ao desenvolvimento e os efeitos provocados. Contextualizou a crise nos diferentes setores, pontuando que alimentos, entre os quais os sorvetes, não são tão fortemente atingidos como o ramo industrial metalmecânico gaúcho.

O economista afirmou que ainda estamos no meio da turbulência. “E quando vamos voltar a crescer? A intensidade e duração dependem de fatores políticos, comportamentais, climáticos”. E acrescentou: “o ajuste das contas do governo é necessário, mas não suficiente para retomar o crescimento sustentado”.

Segundo dia

A 16ª Jornada do Sorvete prossegue nesta sexta-feira, dia 24. “O evento supera as nossas expectativas em termos de participação. Mostra que acertamos na escolha dos temas e a conscientização dos empresários em se atualizar”, comemora o presidente da Agagel, Daniel Greve.

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